OS AMIGOS FAZEM PARTE DE NÓS

Júlio Machado Vaz, médico psiquiatra, à conversa sobre a amizade, a família, o trabalho, a vida e ainda sobre a cerveja.

Quando se fala de amizade, muitos sentem-se a viver a vida como espetadores, e não como protagonistas. A Super Bock questiona: o que se passa com a amizade? Deixámo-nos consumir pelo trabalho? Pelas rotinas? Pela tecnologia? Tanto que até nos esquecemos do que é conviver a sério, sair e beber um copo? As prioridades vão mudando ao longo da nossa vida, mas "às vezes é preciso fazer um ponto de situação", refere o conceituado médico psiquiatra, Júlio Machado Vaz.

O médico psiquiatra e também professor revela que há pessoas que confessam não se lembrarem da última vez que foram ao cinema. E quem diz ao cinema diz a uma esplanada, num fim de tarde com amigos.

Contrariando um dos célebres provérbios da nossa cultura, parar não é morrer. Pelo contrário, é viver, "faz bem e recomenda-se" para arranjar tempo para nós, conviver com amigos, beber um copo e trocar ideias. "São pequenos prazeres conviviais que não só mantêm as boas amizades, como contribuem para o nosso equilíbrio", reforça.



PARAR É VIVER!

Entrevista Julio Machado Vaz UNI2

Viver a um ritmo vertiginoso e sem pausas traz consequências, físicas e mentais. Uma delas é não conseguirmos desligar deste mundo frenético. Há pessoas que não aguentam estar de férias porque já não conseguem estar sem fazer nada. O que prejudica os relacionamentos, não só entre amigos, mas sobretudo entre casais.

"Uma das principais razões que levam casais ao meu consultório é a perda de cumplicidade e aumento de um sentimento de distância. Para se ajudarem, uma das questões essenciais é reaprender a estarem juntos noutros contextos. Os amigos podem ter um papel muito positivo", avalia o médico psiquiatra.

"Não é bom quando um casal nos diz que só sai de casa com amigos, mas também não é bom quando se esquecem dos amigos. A boa convivência social é importante na harmonia familiar, mas muitos de nós, sem darem conta, descuraram completamente as relações com os amigos", sublinha.



A FAMÍLIA QUE ESCOLHEMOS

"Valorizo mais o conceito de tribo que o conceito de família. Fazem parte da minha tribo amigos que não são meus familiares, mas que são do peito. Não fazem parte da minha tribo familiares que raramente vejo. Para mim não é o sangue que conta, mas sim o amor. E a amizade é uma forma de amor".

Os amigos devem fazer parte de nós, da nossa vida nos bons e maus momentos, sem desculpas nem imposições, mas de forma natural. Devemos tentar recuperar os nossos encontros que eram diários e que passaram a não ter data nem periodicidade. Porque o tempo passa a correr e a vida são dois dias.



BEBIDA E REFEIÇÃO COMO RITUAIS DE CONVÍVIO

Entrevista Julio Machado Vaz UNI3

"Na nossa sociedade o reforço dos laços entre as pessoas passou sempre muito pela alimentação e pela bebida, que geravam momentos de partilha entre familiares e amigos. Mas já lá vai o tempo em que as pessoas se sentavam à mesa e conviviam verdadeiramente à refeição. É uma das coisas que mais me entristece nesta sociedade", refere.

O álcool faz parte desses rituais desde sempre. "É um tipo de bebida para ser saboreada e que até tem vantagens, na saúde e no social, se for consumida com moderação", explica Júlio Machado Vaz.

"O consumo saudável reporta-se a uma realidade onde a bebida está inserida num objetivo maior: o do convívio. Em eventos onde há festas e celebrações, há sempre alguém pronto a levantar um copo e não há mal nenhum nisso, desde que seja com conta peso e medida".

 

Nota:
Para aceder à entrevista completa, por favor consulte a revista UNI n.º 15.